A Câmara dos
Deputados aprovou ontem em primeiro turno, uma emenda aglutinativa com vários
pontos da reforma política constantes da proposta de emenda à Constituição
(PEC) 182/07. Entre os pontos da emenda estão a instituição da fidelidade
partidária, os projetos de iniciativa popular, a obrigatoriedade do voto
impresso e a eleição das mesas da Câmara e do Senado. Foram 433 votos a favor
da emenda, 7 contra e 2 abstenções.
No caso da fidelidade partidária, o texto aprovado
determina a perda de mandato daqueles que se desligarem do partido pelo qual
foram eleitos, exceto nos casos de grave discriminação pessoal, mudança ou
desvio radical do programa partidário. A proposta estabelece que o parlamentar
não perderá o mandato no caso de criação, fusão ou incorporação de um partido,
conforme o que for definido em lei.
Em relação aos projetos de iniciativa popular a
serem apresentados ao Congresso, o texto estabelece que para esses projetos são
necessárias 500 mil assinaturas em cinco unidades da Federação. Hoje, os
projetos têm que ser subscritos por, no mínimo, 1 % do eleitorado nacional,
distribuídos em cinco estados, com um mínimo de 0,3% dos eleitores de cada um
desses estados.
Os deputados também aprovaram na emenda,
dispositivo que obriga a impressão do voto, com o objetivo de aumentar o
controle do eleitor e possibilitar possíveis auditórias nas urnas eletrônicas.
Pelo texto, a urna deverá imprimir o voto, que será conferido pelo eleitor
antes de concluir a votação. Esse voto deverá ser depositado automaticamente em
local lacrado para consultas.
Também consta da emenda aprovada pelos deputados,
dispositivo que prevê que as eleições das mesas da Câmara e do Senado serão
feitas no primeiro dia de cada metade da legislatura (cerca de 2,5 anos). Isso,
em função do mandato aprovado ser de cinco anos. Continua vedada a reeleição
dos membros das mesas da Câmara e do Senado.
A continuidade da votação de pontos da reforma
política está sendo possível porque o presidente do Congresso Nacional, senador
Renan Calheiros (PMDB-AL), cancelou a sessão da noite de hoje destinada à
apreciação de vetos presidenciais. A nova sessão do Congresso ainda não foi
marcada.

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